
RENDA FIXA SEM SUSTO
Marcação a mercado: por que seu título "caiu"?
Você investiu em renda fixa e o saldo apareceu negativo? Calma: provavelmente é só a marcação a mercado. Aqui você entende o que é, quando vira perda de verdade e usa o simulador para ver, com os seus próprios números, o que a mudança dos juros faz com o preço.
A ideia em 1 minuto
Todo dia, seu título de renda fixa ganha um novo preço: o valor que ele teria se fosse vendido hoje. Isso é a marcação a mercado. E o preço de hoje depende dos juros de hoje, numa gangorra simples:
Juros SOBEM ▲ → seu título CAI ▼
Títulos novos passam a pagar mais. O seu, que paga menos, só atrai comprador com desconto.
Juros CAEM ▼ → seu título SOBE ▲
O seu título paga mais que os novos, fica mais disputado e passa a valer mais do que você pagou (o chamado ágio).
O ponto que muda tudo: se você levar o título até o vencimento, recebe exatamente a taxa que contratou. A oscilação do extrato só vira lucro ou prejuízo real se você vender no meio do caminho.
SIMULADOR: O QUE OS JUROS FAZEM COM O PREÇO DO SEU TÍTULO
Preço se nada tivesse mudado
R$ 567,43
Preço com a taxa de hoje
R$ 519,37
Quanto o preço mudou, se vender HOJE
▼ -8,47%
Os juros subiram depois que você comprou. Agora os títulos novos pagam mais, e o seu, que paga menos, vale menos se for vendido antes do vencimento. Levando até o vencimento, você recebe exatamente a taxa contratada — a marcação só vira perda se você vender no meio do caminho. Conta simplificada de um título prefixado que paga tudo de uma vez no fim (vale R$ 1.000 no vencimento, sem juros pagos no meio do caminho). Serve só para aprender: não inclui imposto de renda nem taxas e não é recomendação.
Taxas reais do Tesouro hoje (30/10/2026)
| Tesouro Prefixado | vence em 01/01/2027 | 13,48% ao ano |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais | vence em 01/01/2027 | 13,53% ao ano |
| Tesouro Prefixado | vence em 01/01/2028 | 14,32% ao ano |
| Tesouro Prefixado | vence em 01/01/2029 | 14,89% ao ano |
Use essas taxas no simulador acima para ver o efeito nos preços. Fonte: Tesouro Nacional · ver a curva de juros completa →
Como cada ativo sente a marcação
Tesouro Direto
Prefixados e IPCA+ são os mais sensíveis: quanto mais longo o vencimento, maior o sobe-e-desce. O Tesouro Selic é a exceção — acompanha a taxa diária e quase não oscila.
CRA
Certificados de Recebíveis do Agronegócio: títulos ligados a dívidas do agronegócio, sem imposto de renda para pessoa física. O preço também muda todo dia, como em qualquer título. São mais difíceis de vender antes do prazo que o Tesouro, e a venda antecipada pode exigir um desconto maior.
CRI
Certificados de Recebíveis Imobiliários: funcionam como o CRA, mas ligados a dívidas do setor imobiliário. Além dos juros, o preço reage à saúde de quem emitiu o título: se cresce o medo de calote, o preço cai.
Debêntures
Títulos de dívida de empresas (as incentivadas não pagam imposto de renda). O preço muda por dois motivos: pelos juros do país e pelo risco da própria empresa (o 'spread de crédito', a taxa extra que ela paga por ser mais arriscada que o governo). Notícia ruim da empresa derruba o preço mesmo com os juros parados.
Perguntas que todo investidor de renda fixa faz
A regra de bolso da sensibilidade: quanto mais longo o vencimento e mais 'travada' a taxa (prefixado ou IPCA+), maior o impacto da marcação. Um prefixado de 10 anos pode oscilar mais que muita ação; um Tesouro Selic quase não se mexe. Não existe título 'melhor' — existe título adequado ao seu prazo.
Desde 2023, a marcação a mercado é obrigatória também nos extratos de CRA, CRI e debêntures das corretoras (regra da ANBIMA) — por isso muita gente 'descobriu' oscilações que sempre existiram, mas ficavam escondidas porque o extrato mostrava só o rendimento contratado (o valor 'na curva').
Conteúdo exclusivamente educacional do Investidor Invest — nada aqui é recomendação de compra, venda ou resgate. Para decisões sobre a sua carteira, consulte um profissional certificado.
Perguntas frequentes
Meu Tesouro IPCA+ está negativo. Eu perdi dinheiro?+
Só se vender agora. O número negativo é o preço de venda de hoje, refletindo juros maiores que os da sua compra. Mantendo até o vencimento, você recebe IPCA + a taxa contratada, centavo por centavo.
Dá para ganhar com a marcação a mercado?+
Sim — é a estratégia de comprar títulos longos apostando na queda dos juros: se a taxa cair, o preço sobe e é possível vender antecipado com lucro acima da taxa contratada. O risco é o movimento contrário. É estratégia para quem entende o que está fazendo.
CDB também é marcado a mercado?+
No extrato, geralmente não: CDBs costumam aparecer 'na curva' (valor acumulado pela taxa contratada), porque em geral não têm mercado secundário para o investidor comum. Mas se precisar resgatar um CDB sem liquidez diária antes do prazo, o banco fará uma conta parecida — normalmente desfavorável.
Por que o Tesouro Selic quase não oscila?+
Porque ele rende a taxa Selic do dia, todos os dias. Não há taxa travada para 'ficar defasada' quando os juros mudam — por isso é o título recomendado em geral para reserva de emergência.