O que é backtest
Backtest (teste histórico) é aplicar uma regra de compra e venda, escrita de forma objetiva, sobre preços que já aconteceram, para ver como ela teria se comportado. A regra precisa ser exata o bastante para um computador seguir sem interpretação: "compra quando a média de 9 dias cruza a de 21 para cima" serve; "compra quando o gráfico parecer bom" não serve.
O teste responde a perguntas do tipo: quantas operações a regra teria feito, quantas deram lucro, qual foi a maior queda do capital no caminho, quanto se pagou de custos e imposto e se, no fim, o trabalho rendeu mais ou menos do que deixar o dinheiro parado no CDI ou comprar o ativo e esquecer. Ele não responde o que vai acontecer daqui para frente.
Como esta ferramenta faz a conta
Dados. Até 10 anos de pregões diários. Para ações e ETFs, a ferramenta usa o fechamento ajustado por dividendos, juros sobre capital próprio e desdobramentos quando a fonte entrega esse dado (a abertura, a máxima e a mínima são ajustadas pelo mesmo fator). Sem ajuste, uma ação que pagou um dividendo grande pareceria ter caído, e a regra poderia vender "por engano". O histórico termina no último pregão do mês anterior: a ferramenta estuda o passado e não mostra o que uma regra estaria fazendo hoje.
Execução. Nas regras de médias e de IFR, o sinal aparece no fechamento e a ordem é executada na abertura do pregão seguinte, porque ninguém consegue operar no fechamento um sinal que só existe depois do fechamento. No setup 9.1 a entrada e a saída são pelo rompimento de preço, como manda a regra. Quando há dúvida sobre a ordem dos preços dentro do dia, a conta assume o pior caso. É uma posição por vez, só comprada, com todo o capital disponível.
Custos. Ficam ligados ao abrir a página: corretagem fixa por ordem (use a da sua corretora, que pode ser zero), emolumentos e taxa de liquidação da B3 em percentual do valor (0,03% por ordem na faixa de menor volume do mercado à vista fora do day trade, somando negociação, liquidação e TTA, segundo a tabela da B3 consultada em 29/10/2026) e deslizamento, que é a diferença entre o preço do teste e o preço que você de fato conseguiria. Veja a conta detalhada na calculadora de custos da B3.
Imposto. Operações que duram mais de um dia são swing trade: 15% sobre o lucro líquido do mês, com compensação de prejuízos de meses anteriores. A isenção para vendas de até R$ 20 mil no mês vale só para ações no mercado à vista (não vale para ETFs como o BOVA11) e fica desligada ao abrir a página. Para a sua apuração de verdade, use a calculadora de imposto.
As três regras disponíveis
Cruzamento de médias móveis. Uma média curta (que reage rápido) e uma longa (que reage devagar). A regra compra quando a curta cruza a longa para cima e vende quando cruza para baixo; se o teste começa com a curta já acima, ela espera o próximo cruzamento. É uma regra de tendência: costuma perder várias vezes seguidas em mercado de lado e ganhar pouco a pouco quando aparece uma tendência longa. Dá para usar média simples ou exponencial.
IFR2. Usa o Índice de Força Relativa calculado com só 2 pregões, que oscila muito. A ideia é a oposta da anterior: comprar depois de quedas curtas e fortes e sair na primeira recuperação ou depois de um número máximo de dias. Ficou conhecido nos anos 2000 em livros de operações de curto prazo nos Estados Unidos.
Setup 9.1. Usa a média móvel exponencial de 9 períodos. A compra fica armada quando a média vira para cima e só acontece se o preço romper a máxima do candle da virada; o stop da regra é a mínima desse candle; a saída vem quando a média vira para baixo e o preço perde a mínima do candle da virada. As variações (9.2, 9.3 e 9.4) estão explicadas na página de setups clássicos.
Os parâmetros que aparecem ao abrir a ferramenta são os mais citados nos livros e cursos, não uma indicação. Mudar um número e ver o resultado mudar muito é parte do aprendizado.
Overfitting: quando o teste decora o passado
Overfitting (otimização excessiva) é ajustar os parâmetros até a regra ficar perfeita no passado. Com tentativas suficientes, qualquer combinação de números encontra um período em que teria dado certo, do mesmo jeito que alguém que joga a moeda mil vezes acaba achando uma sequência de dez caras. O problema é que essa combinação aprendeu o ruído daquele período, e o ruído não se repete.
Três sinais de alerta: o resultado muda muito quando você troca o parâmetro em uma unidade (por exemplo, média de 20 ótima e de 19 ou 21 ruins); a regra vai bem numa metade do período e mal na outra; e há poucas operações, de modo que uma ou duas boas explicam quase todo o lucro. Por isso a ferramenta mostra o período dividido em duas metades, cada uma começando do zero. Quem desenvolve regras a sério separa um pedaço do histórico que nunca usa para ajustar nada e só olha para ele no final.
Por que um backtest bonito engana
- Custos ignorados. Uma regra que opera muito pode passar de lucro a prejuízo só com corretagem, taxas e deslizamento. Desligue os custos na ferramenta e veja a diferença no mesmo teste.
- Viés de sobrevivência. Só dá para testar ativos que ainda existem. Empresas que quebraram ou saíram da bolsa somem da lista, e quem escolhe o ativo hoje já está escolhendo entre os que sobreviveram.
- Preço sem ajuste. Sem o ajuste por proventos, o comprar e segurar fica pior do que foi e quedas artificiais disparam a regra. A ferramenta avisa quando a série não está ajustada.
- Olhar o futuro sem perceber. Usar o fechamento do dia para decidir e executar no mesmo fechamento é um erro comum que melhora o resultado. Aqui a execução é sempre depois do sinal.
- Mudança de regime. Juros, inflação, liquidez e participantes do mercado mudam. Dez anos de Brasil incluem Selic de 2% e de 15% ao ano: uma regra pode depender de uma fase que não volta.
- Comparação errada. Retorno positivo não basta. A pergunta é se a regra rendeu mais que o CDI e mais que o comprar e segurar, com uma queda máxima que você aguentaria passar. Para entender acerto, payoff e sequência de perdas, use a calculadora de risco-retorno.
Backtest e robô trader
Todo robô trader é uma regra automatizada, e quase todo anúncio de robô mostra um backtest com curva subindo. Agora você sabe por que essa imagem, sozinha, não prova nada: ela pode estar sem custos, otimizada até decorar o passado ou escolhida entre centenas de versões que deram errado. O Portal do Investidor, do governo federal, informa que não há estudos mostrando que robôs de ordens rendem mais para pessoas físicas e trata promessas de "renda certa" ou de percentual fixo de ganho como sinal de alerta de fraude.
Antes de pagar por qualquer sistema, leia robô trader funciona? e use o checklist de como avaliar um robô trader. Para ter uma ideia do que acontece com quem opera com frequência, veja o que os estudos com dados da B3 mostram em quanto ganha um day trader.
Como ler o resultado
Retorno ao ano permite comparar períodos de tamanhos diferentes. Taxa de acerto é a fração das operações que terminaram com lucro depois dos custos; sozinha, diz pouco. Payoff é o ganho médio dividido pela perda média: uma regra pode acertar 35% das vezes e dar lucro se o payoff for alto, ou acertar 80% e perder dinheiro se as poucas perdas forem enormes.
Queda máxima (drawdown) é o maior recuo do capital a partir de um pico. Uma queda de 50% exige alta de 100% só para voltar ao ponto de partida. Tempo posicionado mostra quanto do período o dinheiro ficou na operação; no resto ele ficou parado sem render nada nesta simulação, o que é mais um motivo para olhar a linha do CDI. Termos que aparecerem pela primeira vez estão no glossário, e a evolução do índice está na página do Ibovespa.
Perguntas frequentes
O que é backtest?+
É aplicar uma regra objetiva de compra e venda sobre preços passados para ver como ela teria se comportado: número de operações, acerto, queda máxima, custos e resultado final. Mostra o passado, não prevê o futuro.
Um backtest com bom resultado quer dizer que a regra funciona?+
Não. Um bom resultado pode vir de parâmetros ajustados demais ao período testado, de custos ignorados, de poucas operações ou de uma fase específica do mercado. Por isso a ferramenta mostra o período dividido em duas metades e mantém os custos ligados. Resultado passado não garante resultado futuro.
Por que o resultado com custos fica tão diferente do resultado sem custos?+
Porque cada operação paga corretagem, taxas da B3 e deslizamento na entrada e na saída, e o lucro mensal paga 15% de imposto no swing trade. Em regras que operam muitas vezes, esses descontos somados podem ser maiores que o ganho bruto.
Dá para fazer backtest de mini índice ou mini dólar aqui?+
Não. Contratos futuros vencem e precisam ser emendados (rolados) para formar uma série longa, e não há uma série contínua gratuita confiável com essas emendas. A ferramenta aceita ações, units, ETFs e o Ibovespa.
O que eu digito fica salvo ou é enviado para algum lugar?+
Não. O site só busca o histórico de preços do código escolhido; regra, parâmetros, capital e custos ficam no seu navegador, onde a conta é feita. Não há como salvar nem compartilhar o resultado.
Por que o teste termina no mês passado?+
De propósito. A ferramenta é para estudar como uma regra se comportou no passado. Terminar no último pregão do mês anterior evita que ela seja usada como sinal de entrada ou saída para hoje.
