Um grupo de cerca de 50 economistas e especialistas divulgou um manifesto criticando a pressão por cortes de gastos públicos, com o objetivo de estabilizar a dívida do governo.
O documento propõe um regime fiscal menos rígido que o atual arcabouço, a revisão da meta de inflação e a tributação de rendas altas como alternativa a reduções em despesas sociais.
Juros e dívida
Segundo os signatários, o principal fator de crescimento da dívida pública seriam os juros reais elevados praticados no país. Juros reais são os juros descontados da inflação. A dívida bruta chegou a 82,9% do PIB, o total de bens e serviços produzidos no país, em agosto deste ano.
O Banco Central, por sua vez, afirma que mantém a taxa básica Selic em patamar elevado para conter a inflação, que vem pressionada por alimentos e energia, e aponta que gastos acima da arrecadação também contribuem para a alta de preços.
Proposta de tributação
- Antecipar para o próximo ano a tributação mínima de 10% sobre rendas altas, hoje prevista para declarações de 2027.
- Incluir na cobrança dividendos e outras aplicações atualmente isentas.
- Rever isenções e incentivos fiscais, que somam cerca de R$ 612,8 bilhões em gastos tributários.
O manifesto também pede que o Banco Central não eleve novamente a Selic, hoje em 13,75% ao ano.
O que isso significa
Para o investidor iniciante, debates como este mostram que a dívida pública, os juros e a tributação influenciam diretamente a bolsa, o dólar e o custo do crédito. Mudanças em impostos sobre dividendos, por exemplo, alteram o retorno líquido das ações. Acompanhar essas discussões ajuda a entender o cenário, sem que isso represente uma indicação de investimento.





