Como o padrão se forma
Na pinça de fundo, o primeiro dia cai até um preço e fecha em baixa. No segundo, o preço volta a descer até praticamente o mesmo ponto, não passa dele e fecha em alta. O mercado testou duas vezes o mesmo nível e não foi além.
Na pinça de topo, o primeiro dia sobe até um preço e fecha em alta. No segundo, o preço chega ao mesmo nível, não passa e fecha em baixa.
Dois preços exatamente iguais são raros num índice de seis dígitos. Por isso o cálculo desta página considera iguais as mínimas (ou máximas) que ficam a no máximo 0,1% uma da outra, e pede corpos de cores opostas: de baixa e depois de alta no fundo, de alta e depois de baixa no topo.
Como identificar: a regra em tópicos
- Duas velas seguidas.
- Mínimas (fundo) ou máximas (topo) iguais ou quase iguais (até 0,1% de diferença, no cálculo desta página).
- Pinça de fundo: depois de quedas, primeira vela de baixa e segunda de alta.
- Pinça de topo: depois de altas, primeira vela de alta e segunda de baixa.
- As velas podem ter qualquer formato, inclusive formar outro padrão ao mesmo tempo.
O que o contexto muda
A leitura tradicional é de rejeição de um preço. Na pinça de fundo, um nível segurou a queda duas vezes seguidas; na de topo, um nível segurou a alta. Os autores ligam o padrão à ideia de suporte e resistência, só que num prazo de dois pregões.
Muitas vezes a pinça aparece junto com outros formatos. A segunda vela de uma pinça de fundo pode ser um martelo, e o par pode também formar um engolfo ou um harami. A literatura dá mais destaque quando os sinais se somam.
Por ser simples, a pinça é comum, e boa parte das ocorrências não tem consequência nenhuma. A tabela desta página mostra o que o Ibovespa fez nos 5 pregões seguintes, ao lado do que fez num dia qualquer, para comparação.
A tolerância muda tudo nesse padrão. No Ibovespa, 0,1% é uma distância que o índice costuma percorrer em poucos minutos de pregão. Com uma tolerância maior, quase todo par de dias vira pinça; com tolerância zero, o padrão praticamente desaparece. Ao comparar contagens de fontes diferentes, confira sempre qual folga foi usada.
Variações e padrões parecidos
- Pinça com martelo
- A segunda vela da pinça de fundo é um martelo. É a combinação mais citada nos livros.
- Pinça não seguida
- As duas velas não precisam ser vizinhas para alguns autores: duas mínimas iguais separadas por poucos dias também são chamadas de pinça. Aqui só contamos as vizinhas.
- Fundo duplo e topo duplo
- A versão em prazo maior: dois fundos (ou topos) no mesmo nível separados por semanas. Não é padrão de candle, e sim de figura gráfica.
Frequência histórica no Ibovespa (10 anos)
A tabela conta quantas vezes o formato apareceu no gráfico diário do Ibovespa nos últimos 10 anos, com as regras objetivas descritas acima, e mostra o que o índice fez nos 5 pregões seguintes. É uma estatística do passado, sobre um índice, e serve para dar escala: mostra se o formato é raro ou comum e se o que veio depois foi diferente de um dia qualquer. Não mede se o padrão “funciona” e não é previsão.
| Formato | Vezes | Uma vez a cada | Fechou acima 5 pregões depois | Variação mediana em 5 pregões | Última vez |
|---|---|---|---|---|---|
| Pinça de fundo | 51 | 49 pregões | 45,1% | -0,11% | 19/08/2026 |
| Pinça de topo | 80 | 31 pregões | 47,5% | -0,40% | 06/10/2026 |
| Todos os pregões (para comparar) | 2.483 | — | 54,6% | +0,28% | — |
Ibovespa diário de 31/10/2016 a 29/10/2026 (2.483 pregões). “Poucos casos” aparece quando o formato surgiu menos de 10 vezes com 5 pregões completos depois: com tão pouco, qualquer porcentagem engana.
Depois do formato “Pinça de fundo”, o Ibovespa fechou acima do fechamento do padrão 5 pregões mais tarde em 45,1% das 51 vezes. Depois do formato “Pinça de topo”, o Ibovespa fechou acima do fechamento do padrão 5 pregões mais tarde em 47,5% das 80 vezes. Num pregão qualquer do mesmo período, isso aconteceu em 54,6% das vezes. É essa comparação que interessa: se os números do padrão ficam perto da linha de todos os pregões, o formato, sozinho, não trouxe informação nova sobre os dias seguintes. E mesmo uma diferença de 10 pontos percentuais, com algumas dezenas de casos, pode ser fruto do acaso: um índice, um período e uma regra de identificação não bastam para tirar conclusão sobre o futuro.
Como a conta é feita. “Depois de queda” quer dizer que o fechamento do pregão anterior ao padrão ficou abaixo do fechamento de 5 pregões antes (e “depois de alta”, acima). “Fechou acima 5 pregões depois” compara o fechamento 5 pregões à frente com o fechamento do último candle do padrão. Outras regras de identificação dariam outras contagens; por isso o texto explica a regra usada. Para testar uma regra completa, com custos, use o backtest da aba Trader.
Erros comuns na leitura
- Exigir igualdade exata em ativos de preço alto. Sem tolerância, o padrão quase não existe.
- Usar tolerância grande demais. Com folga de 1%, quase todo par de velas vira pinça.
- Ignorar o contexto: no meio de uma lateralidade, mínimas iguais são comuns e sem leitura de reversão.
- Tratar o nível como garantido. Um preço que segurou duas vezes pode ser rompido na terceira.
Perguntas frequentes
O que é pinça de fundo?+
Duas velas seguidas, depois de uma queda, com a mesma mínima: a primeira de baixa e a segunda de alta. Mostra que o mesmo preço segurou a queda duas vezes.
O que é pinça de topo?+
Duas velas seguidas, depois de uma alta, com a mesma máxima: a primeira de alta e a segunda de baixa.
As mínimas precisam ser exatamente iguais?+
Não. Em ativos de preço alto, usa-se uma tolerância pequena. Esta página considera iguais os preços com até 0,1% de diferença.
Pinça é o mesmo que fundo duplo?+
São ideias parecidas em prazos diferentes. A pinça usa duas velas seguidas; o fundo duplo é uma figura gráfica de semanas.
A pinça funciona no day trade?+
O padrão existe em qualquer tempo gráfico. Em prazos curtos, aparece muito e sofre mais com ruído. Teste qualquer regra no histórico antes de tirar conclusões.
