O que é rolar um contrato futuro
Rolar é trocar uma posição de um vencimento para outro, sem mudar a direção. Quem está comprado em mini índice de dezembro vende esses contratos e compra a mesma quantidade do vencimento de fevereiro. Quem está vendido faz o contrário: compra os de dezembro para zerar e vende os de fevereiro.
A rolagem interessa a quem mantém posição por dias ou semanas, como no swing trade, ou a quem usa o futuro para proteger uma carteira (por exemplo, empresas que se protegem da alta do dólar). Quem faz day trade não precisa rolar nada, porque zera tudo no mesmo dia. Mesmo assim, precisa saber qual contrato está sendo negociado, já que perto do vencimento a maior parte do volume muda de um código para o outro.
Quando vence o mini índice e quando a liquidez muda
O mini índice tem vencimentos nos meses pares (fevereiro, abril, junho, agosto, outubro e dezembro), na quarta-feira mais próxima do dia 15. Se não houver pregão nesse dia, o vencimento passa para a sessão seguinte. A quarta-feira do vencimento também é o último dia de negociação daquele código. O WINZ26 (dezembro de 2026) vence em 16/12/2026; o seguinte, WING27, vence em 17/02/2027.
O volume não muda de contrato no dia do vencimento. Nos dias anteriores, os participantes vão rolando as posições e o contrato seguinte passa a concentrar a maior parte dos negócios. A página código do mini índice hoje mostra o contrato que está valendo e a data de troca, e o calendário completo está em vencimentos de mini índice, mini dólar e DI.
Quando vence o mini dólar
O mini dólar vence todos os meses, no primeiro dia útil do mês, e o último dia de negociação é a sessão anterior. Na prática, a rolagem acontece nos últimos dias do mês anterior. Exemplos de 2026:
- WDOX26 (novembro): vence em 03/11/2026, porque 02/11 é Finados. O último dia de negociação é 30/10/2026.
- WDOZ26 (dezembro): vence em 01/12/2026; último dia de negociação em 30/11/2026.
- WDOF27 (janeiro de 2027): vence em 04/01/2027, porque 01/01 é feriado e cai numa sexta-feira. Como não há pregão em 31/12, o último dia de negociação é 30/12/2026.
Veja o contrato vigente em código do mini dólar hoje.
Por que o próximo contrato tem outro preço
O contrato seguinte quase nunca tem o mesmo preço do atual, e isso não é erro nem taxa escondida. O preço de um futuro embute o custo de carregar o ativo até o vencimento.
No mini índice, o futuro costuma ficar acima do Ibovespa à vista porque embute os juros do período, descontados os dividendos esperados das ações do índice. Exemplo com números fictícios: com o índice em 130.000 pontos e juros de 14% ao ano, dois meses (cerca de 42 dias úteis) de juros somam 2,21%, ou perto de 2.870 pontos. Um contrato que vence dois meses depois tende a ser negociado com uma diferença dessa ordem em relação ao anterior. Essa diferença varia com os juros, com os dividendos e com a procura dos participantes.
No mini dólar, a diferença entre um mês e o seguinte reflete a diferença entre os juros em reais e os juros em dólar (o chamado cupom cambial) para um mês. Com juros fictícios de 14% no Brasil e 5% em dólar, um mês representa cerca de 0,68% do preço, ou perto de 37 pontos com o dólar a R$ 5,40. Acompanhe a cotação à vista em dólar hoje.
O efeito prático: no vencimento, o futuro converge para o preço à vista. Para quem carrega uma posição comprada, a diferença embutida tende a diminuir com o tempo; para quem está vendido, o efeito é o inverso. Não é dinheiro pago a ninguém, mas pesa no resultado de quem mantém a posição por meses.
Duas formas de rolar
Duas ordens separadas: zerar o contrato que vai vencer e abrir o seguinte, uma ordem de cada vez. É simples, mas entre uma ordem e outra o preço pode andar, e cada perna paga a diferença entre a melhor oferta de compra e a de venda.
Instrumento de rolagem da B3: a B3 tem contratos próprios de rolagem (na tabela de tarifas aparecem como WI1, para o mini índice, e WD1, para o mini dólar). Neles se negocia a diferença de preço entre os dois vencimentos, e as duas pernas são feitas de uma vez. Nem toda plataforma ou corretora oferece esse instrumento; confira antes.
Quanto custa rolar: exemplo com números
Imagine 5 mini índices comprados para levar a posição de dezembro para fevereiro. A rolagem com duas ordens movimenta 10 contratos (5 vendidos no vencimento atual e 5 comprados no seguinte). Como a posição não é aberta e fechada no mesmo dia, vale a tarifa normal da B3, sem redução de day trade: na primeira faixa de volume, R$ 0,39 por contrato. São R$ 3,90 de tarifa B3. No instrumento de rolagem, o fator do WI1 é 0,4, o dobro do mini, e o custo fica praticamente igual.
A isso se somam a corretagem (por ordem ou por contrato, conforme a corretora) e o custo de cruzar o spread. Se cada ordem a mercado pagar 1 tick (5 pontos) a mais do que o preço do meio, as duas pernas custam 2 × 5 pontos × R$ 0,20 × 5 contratos = R$ 10,00. Em muitos casos, esse custo de execução pesa mais do que a tarifa.
No mini dólar, a tarifa da primeira faixa sem day trade é de US$ 0,24 por contrato e por lado, convertida pela PTAX de venda do último dia do mês anterior. Rolar 2 contratos movimenta 4 e custa cerca de US$ 0,96 de tarifa. A tabela de tarifas de dólar da B3 traz ainda uma nota de desconto de 50% nos três últimos dias úteis antes do vencimento para o contrato que está vencendo, ligada às linhas de rolagem. Simule a sua faixa na calculadora de custos da B3.
Ajuste, imposto e margem na rolagem
Ao zerar o contrato antigo, o resultado dele fica definido: é a soma dos ajustes diários desde a abertura. Para o imposto de renda, esse resultado entra no mês em que a posição foi encerrada, com 15% sobre o ganho líquido do mês em operações comuns. Se o contrato antigo tiver sido aberto no mesmo dia em que foi zerado, aquela parte é day trade e paga 20%. O contrato novo começa do zero. Faça a conta do mês na calculadora de imposto e veja as regras gerais em imposto de renda sobre investimentos.
O contrato novo exige margem de garantia própria. Quem rola com duas ordens em momentos diferentes pode ficar por alguns instantes sem posição ou com posição dobrada, e a corretora pode exigir margem para as duas. Entenda os limites em alavancagem e zeragem compulsória.
O que acontece se não rolar
Se a posição chegar ao vencimento, o contrato é liquidado financeiramente pela B3, pelo valor de referência previsto na especificação, e a posição deixa de existir. Não há entrega de ações nem de dólares. Nesse caso a B3 cobra a tarifa de liquidação: R$ 0,30 por mini índice e US$ 0,12 por mini dólar. Algumas corretoras também zeram por conta própria as posições de clientes pessoa física perto do vencimento; as regras estão no contrato de cada uma.
Perguntas frequentes
Quando fazer a rolagem do mini índice?+
Antes do vencimento, que cai na quarta-feira mais próxima do dia 15 dos meses pares. O volume migra para o contrato seguinte nos dias anteriores ao vencimento. Não existe dia obrigatório: o importante é não chegar ao vencimento com uma posição que você queria manter.
Quando o mini dólar vira de contrato?+
O mini dólar vence no primeiro dia útil de cada mês e o último dia de negociação é a sessão anterior. Por isso a troca de contrato acontece nos últimos dias do mês anterior ao vencimento.
Rolar contrato é day trade?+
Não, desde que o contrato antigo tenha sido aberto em outro dia. Zerar o vencimento atual e abrir o seguinte são negócios em códigos diferentes. Se o contrato antigo foi aberto no mesmo dia em que foi zerado, essa parte é day trade.
Quanto custa rolar o mini índice?+
Na primeira faixa de volume da B3, a tarifa é de cerca de R$ 0,39 por contrato em cada lado. Rolar 5 contratos movimenta 10 e custa perto de R$ 3,90 de tarifa, mais corretagem e o custo de cruzar o spread entre compra e venda.
Por que o contrato seguinte é mais caro?+
No mini índice, o futuro embute os juros do período, descontados os dividendos esperados. No mini dólar, embute a diferença entre os juros em reais e em dólar. Quanto mais longe o vencimento, maior costuma ser a diferença em relação ao preço à vista.
