Como o padrão se forma
Na estrela da manhã, o primeiro dia tem um corpo de baixa longo, continuando a queda. O segundo dia tem um corpo pequeno (pode ser um doji ou um pião) e fica abaixo do corpo anterior. No terceiro dia, um corpo de alta forte fecha acima da metade do corpo do primeiro dia.
A estrela da tarde é o espelho: corpo de alta longo, vela pequena acima dele e um corpo de baixa que fecha abaixo da metade do primeiro corpo.
Na definição clássica, a vela do meio fica separada dos corpos vizinhos por saltos de preço (gaps). Em ações isso acontece às vezes. No Ibovespa diário quase nunca, porque o índice abre colado no fechamento anterior. Por isso, o cálculo desta página aceita uma vela do meio sem salto, desde que seu corpo fique no extremo do primeiro corpo. Essa versão mais solta é comum em análises de índices.
Como identificar: a regra em tópicos
- Primeira vela: corpo longo na direção do movimento (pelo menos 1,3 vez o corpo médio dos 20 pregões anteriores, no cálculo desta página).
- Segunda vela: corpo pequeno, no máximo 30% do primeiro, no extremo do movimento.
- Terceira vela: corpo na direção oposta, fechando além da metade do primeiro corpo.
- Estrela da manhã: depois de quedas. Estrela da tarde: depois de altas.
- Versão de livro: saltos de preço antes e depois da vela do meio.
O que o contexto muda
A leitura tradicional conta uma história em três atos. No primeiro dia, o movimento segue forte. No segundo, ele trava: compradores e vendedores ficam equilibrados num dia pequeno. No terceiro, o lado contrário assume e recupera boa parte do primeiro dia.
Por ter três velas e uma confirmação embutida (a terceira), muitos livros tratam as estrelas como padrões mais fortes do que os de uma vela. Em compensação, são raras: no Ibovespa diário, mesmo com a regra sem saltos, aparecem poucas vezes em 10 anos, como mostra a tabela.
Quando a vela do meio é um doji, o padrão ganha o nome de estrela doji da manhã ou da tarde. Quando a vela do meio fica totalmente separada das vizinhas, inclusive pelas sombras, vários autores chamam de bebê abandonado, uma versão ainda mais rara.
Variações e padrões parecidos
- Estrela doji
- A vela do meio é um doji. Os livros clássicos dão mais destaque a essa versão.
- Bebê abandonado
- A vela do meio fica isolada por saltos completos, sem nem as sombras se tocarem. É muito rara em índices.
- Estrela cadente como vela do meio
- Na estrela da tarde, a vela do meio às vezes é uma estrela cadente.
Frequência histórica no Ibovespa (10 anos)
A tabela conta quantas vezes o formato apareceu no gráfico diário do Ibovespa nos últimos 10 anos, com as regras objetivas descritas acima, e mostra o que o índice fez nos 5 pregões seguintes. É uma estatística do passado, sobre um índice, e serve para dar escala: mostra se o formato é raro ou comum e se o que veio depois foi diferente de um dia qualquer. Não mede se o padrão “funciona” e não é previsão.
| Formato | Vezes | Uma vez a cada | Fechou acima 5 pregões depois | Variação mediana em 5 pregões | Última vez |
|---|---|---|---|---|---|
| Estrela da manhã | 8 | 310 pregões | poucos casos | poucos casos | 24/09/2024 |
| Estrela da tarde | 8 | 310 pregões | poucos casos | poucos casos | 25/09/2025 |
| Todos os pregões (para comparar) | 2.483 | — | 54,6% | +0,28% | — |
Ibovespa diário de 31/10/2016 a 29/10/2026 (2.483 pregões). “Poucos casos” aparece quando o formato surgiu menos de 10 vezes com 5 pregões completos depois: com tão pouco, qualquer porcentagem engana.
Os formatos marcados com “poucos casos” apareceram menos de 10 vezes no período. Com tão poucos casos, a porcentagem de um único ano atípico muda tudo, por isso ela não é mostrada.
Como a conta é feita. “Depois de queda” quer dizer que o fechamento do pregão anterior ao padrão ficou abaixo do fechamento de 5 pregões antes (e “depois de alta”, acima). “Fechou acima 5 pregões depois” compara o fechamento 5 pregões à frente com o fechamento do último candle do padrão. Outras regras de identificação dariam outras contagens; por isso o texto explica a regra usada. Para testar uma regra completa, com custos, use o backtest da aba Trader.
Erros comuns na leitura
- Aceitar uma terceira vela fraca, que não chega à metade do primeiro corpo. Sem isso, o padrão não se completa.
- Exigir os saltos de preço em índices e concluir que o padrão “nunca acontece”. No Ibovespa, a versão sem salto é a que existe na prática.
- Dar peso a um padrão raro com poucos casos. Com menos de dez ocorrências em 10 anos, nenhuma estatística sobre o que veio depois é confiável.
- Ler o padrão antes do fechamento da terceira vela.
Perguntas frequentes
O que é a estrela da manhã?+
É um padrão de três velas que aparece depois de uma queda: um corpo de baixa longo, uma vela pequena mais abaixo e um corpo de alta que fecha acima da metade do primeiro.
Qual a diferença entre estrela da manhã e estrela da tarde?+
São espelhos. A da manhã aparece depois de quedas e termina com um corpo de alta. A da tarde aparece depois de altas e termina com um corpo de baixa.
A estrela da manhã precisa de gap?+
Na definição clássica, sim: a vela do meio fica separada por saltos de preço. Em índices, que abrem colados no fechamento anterior, usa-se uma versão sem gap.
Por que o nome estrela?+
Pela imagem de Vênus, que aparece isolado no céu antes do amanhecer (estrela da manhã) ou depois do pôr do sol (estrela da tarde). A vela pequena do meio é a estrela.
A estrela da manhã é frequente no Ibovespa?+
Não. Mesmo com a regra sem gap, aparece poucas vezes em 10 anos no gráfico diário. A tabela desta página traz a contagem atualizada.
