As três modalidades em uma frase
- Day trade: abre e fecha a posição no mesmo pregão, na mesma corretora. Ver o guia de day trade.
- Swing trade: a posição dura de alguns dias a algumas semanas. Ver o guia de swing trade.
- Position: a posição dura meses e acompanha uma tendência mais longa. Fica no meio do caminho entre a operação de curto prazo e o investimento de longo prazo.
Para a Receita Federal só existem duas categorias: day trade e operações comuns. Swing trade e position são operações comuns e seguem exatamente as mesmas regras de imposto.
Como ler a tabela comparativa
A tabela no alto da página mostra as regras de imposto, margem, custos e risco de cada modalidade. Swing trade e position são iguais na parte de imposto, porque a Receita trata os dois como operação comum. Três linhas merecem explicação:
- Margem: no day trade a B3 fixa um piso baixo por contrato porque a posição acaba no mesmo dia. Quem carrega um futuro para o dia seguinte passa a depender da garantia calculada pelo sistema de risco da B3, que considera o tamanho de um movimento extremo de preço de um dia para o outro — por isso ela é bem maior.
- IR retido na fonte: no day trade, 1% sobre o resultado positivo do dia; nas operações comuns, 0,005% sobre o valor de cada venda, com ou sem lucro. Nos dois casos o valor é uma antecipação, descontada do DARF.
- Isenção de R$ 20 mil: vale só para ações no mercado à vista em operações comuns. Não alcança ETFs, opções, futuros nem day trade.
O imposto muda o resultado: a mesma conta nas três modalidades
Suponha um lucro líquido de R$ 1.000,00 no mês, já descontados os custos, em uma única modalidade. O imposto a pagar seria:
LUCRO DE R$ 1.000,00 NO MÊS
- Day trade (ações ou futuros): 20% = R$ 200,00
- Swing ou position em ações, vendas do mês até R$ 20 mil: isento = R$ 0,00
- Swing ou position em ações, vendas acima de R$ 20 mil: 15% = R$ 150,00
- Swing ou position em ETF, opções ou futuros: 15% = R$ 150,00, sem isenção
Antes de pagar, desconta-se o IR já retido na fonte (1% no day trade, 0,005% das vendas nas operações comuns).
Um ponto que costuma confundir: o prejuízo de uma categoria não abate o lucro da outra. Quem teve prejuízo de R$ 800 no day trade e lucro de R$ 1.000 em swing trade tributável no mesmo mês paga R$ 150 sobre o swing e carrega o prejuízo de day trade para os meses seguintes. Mais detalhes em como compensar prejuízo. Para fazer a conta do seu mês, use a calculadora de imposto de day trade e swing trade.
Frequência e custo: por que o número de operações pesa
Uma diferença que não aparece na alíquota é a quantidade de operações. Compare, com um custo de exemplo de R$ 0,50 por contrato em cada ponta no mini índice:
| Perfil de exemplo | Operações no mês | Contratos por operação | Custo no mês |
|---|---|---|---|
| Day trade frequente | 10 por dia × 21 pregões = 210 | 5 | R$ 1.050,00 |
| Day trade esporádico | 2 por dia × 21 pregões = 42 | 2 | R$ 84,00 |
| Swing trade | 6 no mês | 2 | R$ 12,00 |
| Position | 1 no mês | 2 | R$ 2,00 + custo de rolagem |
Para chegar ao zero a zero, a soma dos ganhos precisa primeiro cobrir esses custos e depois o imposto. No position em futuros entra ainda o custo de trocar de contrato a cada vencimento, explicado em rolagem de contratos.
Risco: dentro do dia, de um dia para o outro e ao longo de meses
O day trade não sofre com o que acontece com a bolsa fechada, mas usa alavancagem alta: com margem de R$ 155 para um contrato que vale dezenas de milhares de reais, uma variação pequena do índice pode consumir toda a margem (veja alavancagem e zeragem).
O swing trade sofre com o gap, o salto de preço entre o fechamento e a abertura seguinte, causado por notícias com o mercado fechado. Um stop na plataforma não impede a execução a um preço muito pior nesse caso.
O position fica exposto a mudanças maiores de cenário: juros, câmbio, resultado das empresas. Em ações, também recebe dividendos e passa por eventos como desdobramentos. Os dias de evento estão no calendário econômico e na agenda de resultados.
Perguntas para pensar antes de escolher uma modalidade
O site não indica modalidade a ninguém. As perguntas abaixo ajudam a entender quais regras se aplicam à sua situação:
- Quantas horas por dia, de fato, estão disponíveis durante o pregão?
- Qual valor em reais você aceita perder por operação, por dia e por mês?
- Você já sabe calcular custos e imposto do mês sem ajuda da corretora?
- As operações vão cair em um mês com vendas de ações acima de R$ 20 mil?
- Você entende o que acontece com a posição se houver gap, circuit breaker ou zeragem?
Para entender o que os dados mostram sobre resultado no longo prazo, veja quanto ganha um day trader. Termos como alavancagem e liquidez estão no glossário.
Perguntas frequentes
Qual a diferença de imposto entre day trade e swing trade?+
O day trade paga 20% sobre o lucro do mês e tem 1% retido na fonte. O swing trade paga 15%, tem 0,005% retido na fonte sobre o valor vendido e conta com isenção quando as vendas de ações no mercado à vista não passam de R$ 20 mil no mês.
Position trade paga o mesmo imposto que swing trade?+
Sim. Para a Receita, os dois são operações comuns: 15% sobre o lucro, com a mesma isenção de R$ 20 mil em vendas de ações. Não existe alíquota menor por manter a ação mais tempo.
Posso compensar prejuízo de day trade com lucro de swing trade?+
Não. Cada categoria tem o próprio saldo de prejuízo: day trade compensa só com day trade, e operações comuns só com operações comuns.
Swing trade precisa de mais dinheiro que day trade?+
Em geral, sim. Em ações, é preciso pagar a compra (liquidada em D+2). Em futuros, a posição carregada exige margem de garantia calculada pela B3, bem maior que a margem mínima de day trade de R$ 155 no mini índice e R$ 140 no mini dólar.
Quem faz swing trade precisa ficar o dia todo na frente da tela?+
Não costuma precisar. As decisões normalmente são tomadas com gráficos diários, antes da abertura ou depois do fechamento. Em compensação, a posição fica exposta ao gap entre um pregão e outro.
