A regra do IFR2
O IFR foi criado por J. Welles Wilder e publicado em 1978. Ele compara o tamanho médio das altas com o tamanho médio das quedas de um período: IFR = 100 − 100 ÷ (1 + média das altas ÷ média das quedas). O resultado vai de 0 a 100. Com 2 períodos, dois dias de queda forte já levam o indicador para perto de zero. A fórmula completa está na página do IFR.
Na versão mais difundida no Brasil, a compra acontece no fechamento do dia em que o IFR2 fica abaixo de um nível baixo, geralmente 25 (há versões com 30, 10 ou 5). A saída é no rompimento da máxima dos dois últimos candles. Se a saída não acontecer em alguns dias (é comum usar 7 pregões), a posição é encerrada pelo tempo.
Muitas versões não usam stop de preço fixo, só a saída por tempo. Isso é uma característica importante: perdas grandes podem acontecer em quedas que continuam. Quem estuda o setup costuma avaliar com cuidado o que acontece nas piores sequências.
A REGRA EM TÓPICOS (VERSÃO DE COMPRA)
- Calcular o IFR de 2 períodos com os fechamentos diários.
- Entrada: no fechamento do dia em que o IFR2 fica abaixo do nível escolhido (25 é o mais comum na versão brasileira).
- Saída: rompimento da máxima dos dois últimos candles.
- Saída por tempo: se não houver saída em cerca de 7 pregões.
- Filtro opcional: só operar quando o preço está acima de uma média longa (como a de 200 dias).
De onde veio a regra
A popularidade do IFR de 2 períodos vem dos trabalhos de Larry Connors, autor americano de livros sobre operações de curto prazo. No livro Short Term Trading Strategies That Work (2008), escrito com Cesar Alvarez, a regra descrita é: o ativo precisa estar acima da média de 200 dias; a compra é feita no fechamento quando o IFR2 fica abaixo de um nível muito baixo (5 ou 10); a saída é no fechamento acima da média de 5 dias.
No Brasil, a regra ganhou uma versão própria, que é a mais difundida em cursos e fóruns: nível de entrada em 25, saída na máxima dos dois últimos candles e saída por tempo depois de alguns pregões. O nome “IFR2” acabou servindo para as duas. Ao ler qualquer resultado sobre o setup, confira qual versão está sendo descrita.
Versão original e versão popular, lado a lado
As duas versões compartilham a ideia de comprar depois de quedas curtas, mas diferem em quase todos os detalhes. A original tem filtro de tendência e nível de entrada muito mais baixo (gera menos operações). A brasileira tem saída por preço e por tempo.
A REGRA EM TÓPICOS (VERSÃO DE COMPRA)
- Filtro de tendência: original exige preço acima da média de 200 dias; a popular costuma não exigir (ou deixar opcional).
- Nível de entrada: original abaixo de 5 ou 10; popular abaixo de 25.
- Saída: original no fechamento acima da média de 5 dias; popular na máxima dos dois últimos candles.
- Saída por tempo: comum na popular (cerca de 7 pregões); não faz parte da original.
- Stop de preço: nenhuma das duas usa como regra principal, o que exige atenção ao risco.
Variações que circulam
- IFR2 de venda
- Espelho da compra: IFR2 acima de 75 (ou 90, 95) para vender, com saída na mínima dos dois últimos candles. É menos usada em ações, porque vender a descoberto tem custo de aluguel.
- IFR acumulado
- Algumas versões somam o IFR2 de dois ou três dias seguidos e entram quando a soma fica abaixo de um nível.
- Com stop de preço
- Para limitar perdas, há quem acrescente um stop fixo, por exemplo um múltiplo do ATR. Isso muda bastante o comportamento da regra.
- Outros períodos
- IFR de 3 ou 4 períodos gera menos operações e entradas em quedas um pouco mais longas.
Armadilhas mais comuns
- Quedas que continuam. A regra compra depois de quedas. Em crises, a queda pode seguir por muitos dias, e sem stop de preço a perda de uma única operação pode apagar o ganho de muitas outras.
- Muitas operações pequenas. Os ganhos por operação costumam ser pequenos. Corretagem, taxas da B3 e imposto pesam muito. Veja a calculadora de custos da B3.
- Viés de sobrevivência. Testar só em ações que existem hoje deixa de fora as que caíram até sair da bolsa, e isso melhora o resultado artificialmente. Comece pelo Ibovespa ou por um ETF como o BOVA11.
- Preços sem ajuste. Dividendos e desdobramentos criam quedas artificiais no gráfico. Um teste sem preços ajustados conta entradas que não aconteceriam.
- Nível escolhido pelo resultado. Testar 5, 10, 15, 20, 25 e 30 e ficar com o que deu mais certo no passado é sobreajuste. Escolha o nível antes de testar.
Como testar no histórico
Defina a versão inteira antes de testar: nível de entrada, saída, saída por tempo, filtro de tendência e stop, se houver.
O backtest da aba Trader testa regras clássicas em até 10 anos de dados diários, com custos e comparação com o CDI e com comprar e segurar. A versão de IFR2 da ferramenta sai quando o IFR passa de um nível escolhido ou quando acaba o limite de pregões, e não na máxima de dois candles: confira os parâmetros na tela e comece por um índice ou ETF.
Olhe a pior operação, a maior queda da carteira (drawdown) e o tempo que a carteira levou para se recuperar. Em regras sem stop, esses números dizem mais do que o lucro total. A calculadora de risco-retorno ajuda a interpretar.
Perguntas frequentes
O que é o setup IFR2?+
É uma regra que usa o índice de força relativa de 2 períodos para identificar quedas curtas e fortes. Na versão popular no Brasil, a compra é no fechamento com IFR2 abaixo de 25 e a saída na máxima dos dois últimos candles.
Quem criou o IFR2?+
O IFR foi criado por J. Welles Wilder em 1978. O uso com 2 períodos ficou conhecido pelos livros de Larry Connors, como Short Term Trading Strategies That Work (2008), com Cesar Alvarez. A versão com saída na máxima de dois candles é uma adaptação brasileira.
Qual o nível de IFR2 para entrada?+
Depende da versão: a original usa abaixo de 5 ou 10; a popular no Brasil, abaixo de 25. Níveis mais baixos geram menos operações. Não existe nível certo; existe o nível definido antes do teste.
O IFR2 usa stop?+
As versões mais conhecidas não têm stop de preço como regra principal, só saída por preço ou por tempo. Isso torna importante estudar as piores operações no histórico.
IFR2 funciona em day trade?+
A regra foi pensada para o gráfico diário, com operações de alguns dias. Em prazos intradiários, o comportamento é outro e os custos pesam mais.
Qual a diferença entre IFR2 e IFR14?+
Só o período. O IFR14 é o padrão de Wilder e se move devagar. O IFR2 reage a dois dias de preço e vai a extremos com facilidade, por isso é usado para quedas curtas.
