Como funciona o scalping
O nome vem do inglês "scalp", tirar uma lasca. O scalper tenta capturar pequenos desequilíbrios entre compradores e vendedores: um lote grande que aparece no livro de ofertas, uma sequência rápida de negócios de um lado, o rompimento de um preço muito disputado. No mini índice, isso costuma significar movimentos de 5 a 30 pontos (R$ 1 a R$ 6 por contrato).
Por isso, o scalping depende menos de gráfico de dias e mais de duas ferramentas da plataforma: o book de ofertas (as ordens de compra e venda à espera) e o times & trades (a lista de negócios fechados, com preço, quantidade e horário). As duas estão explicadas em book de ofertas e times & trades. A forma como cada tipo de ordem é executado — a mercado, limitada, stop — muda bastante o resultado; veja tipos de ordem.
Os ativos mais usados são os de liquidez muito alta, em que a menor variação de preço (o tick) é pequena: o mini índice, o mini dólar e poucas ações com muitos negócios por segundo.
A conta que define o scalping: taxa de acerto para empatar
Se o ganho médio e a perda média por operação são do mesmo tamanho, parece que 50% de acerto basta para empatar. Isso só vale sem custos. Com custos, a taxa de acerto necessária é: (perda + custo) ÷ (ganho + perda), tudo na mesma unidade.
| Custo por contrato | Custo em pontos de WIN | Ganho 15 pts / perda 15 pts | Ganho 10 pts / perda 10 pts |
|---|---|---|---|
| Sem custo (teórico) | 0,0 pts | 50,0% | 50,0% |
| R$ 0,50 por contrato (ida e volta) | 2,5 pts | 58,3% | 62,5% |
| R$ 1,00 por contrato (ida e volta) | 5,0 pts | 66,7% | 75,0% |
| R$ 1,00 + 1 tick de deslizamento | 10,0 pts | 83,3% | 100% ou mais (não empata) |
Note como, quando o ganho buscado é pequeno, o custo empurra a taxa de acerto necessária para perto de 60% ou mais — e isso só para empatar, antes do imposto. Em operações de prazo maior, com movimentos de centenas de pontos, o mesmo custo quase não muda a conta.
Para testar com os seus números, use a calculadora de risco-retorno e payoff e a calculadora de custos da B3.
Exemplo: o custo de um dia de scalping
EXEMPLO · 40 OPERAÇÕES COM 3 CONTRATOS
- Custo suposto: R$ 0,25 por contrato em cada ponta (compra e venda)
- 40 operações × 3 contratos × 2 pontas × R$ 0,25 = R$ 60,00 por dia
- Em pontos, só para cobrir o custo: R$ 60,00 ÷ (R$ 0,20 × 3) = 100 pontos no dia
- Em um mês de 21 pregões: R$ 1.260,00
Valores de exemplo. Algumas corretoras não cobram corretagem nos minicontratos, mas as tarifas da B3 existem sempre.
O deslizamento não aparece na nota de corretagem, mas costuma ser o maior custo do scalper: é a diferença entre o preço que ele queria e o que conseguiu, em ordens a mercado ou stops executados em momentos de muita movimentação. Um tick de deslizamento por operação, no mini índice, é R$ 1 por contrato.
Contra quem o scalper opera
No intervalo de segundos, boa parte das ordens do outro lado vem de empresas de negociação de alta frequência (HFT), que usam computadores instalados perto dos servidores da bolsa e reagem em milionésimos de segundo. Elas também pagam tarifas menores, por negociarem volumes enormes.
O estudo da FGV sobre day trade no mini índice cita essa concorrência como um dos motivos de 97% das pessoas que persistiram por mais de 300 pregões terem perdido dinheiro (veja quanto ganha um day trader). No scalping, onde a velocidade é tudo, essa diferença é maior.
Outros fatores de risco próprios do scalping:
- Latência: o tempo entre o clique e a ordem chegar à bolsa, que depende da internet, da plataforma e da corretora.
- Falhas de conexão com posição aberta: com alavancagem alta, poucos minutos sem acesso podem gerar perda grande.
- Leilões e paralisações: quando o preço salta, a B3 pode colocar o ativo em leilão, e a ordem stop não executa no preço esperado (veja leilão e circuit breaker).
- Fadiga: dezenas de decisões rápidas por dia aumentam a chance de erro operacional.
Os mecanismos de leilão estão em leilão, call e after market e em circuit breaker.
Imposto e regras: o scalping é day trade
Não existe regra própria para o scalping: para a Receita, é day trade como qualquer outro. O lucro líquido do mês paga 20%, a corretora retém 1% do resultado positivo de cada dia, e o DARF é pago com o código 6015 até o último dia útil do mês seguinte. Como as operações são muitas, o controle mensal é trabalhoso; a planilha de day trade e a calculadora de imposto ajudam.
O scalping não é proibido na B3. A corretora, porém, pode ter limites próprios de número de ordens, margem e horário, descritos nas regras e parâmetros de atuação dela. As regras de margem e de zeragem estão em alavancagem e zeragem.
Scalping manual e robôs
Muitas plataformas permitem automatizar regras de scalping. A automação resolve a velocidade de clique, mas não a conta dos custos nem a concorrência com quem tem infraestrutura profissional. O que a CVM diz sobre robôs e como avaliar promessas de desempenho está em robô trader funciona?.
Perguntas frequentes
O que é scalping?+
É um tipo de day trade com operações de segundos ou poucos minutos, buscando variações de poucos pontos e repetindo isso muitas vezes no mesmo pregão. No mini índice, os movimentos buscados costumam ser de 5 a 30 pontos.
Scalping é permitido na B3?+
Sim. Não há proibição. A corretora pode ter limites próprios de ordens, margem e horário de zeragem, descritos nas regras e parâmetros de atuação dela.
Qual taxa de acerto o scalping precisa?+
Depende do ganho, da perda e do custo por operação. A taxa para empatar é (perda + custo) ÷ (ganho + perda). Com ganho e perda de 10 pontos no mini índice e custo de R$ 1 por contrato (5 pontos), é preciso acertar 75% só para empatar.
Scalping paga imposto diferente?+
Não. É day trade: 20% sobre o lucro líquido do mês, 1% retido na fonte sobre o resultado positivo de cada dia e DARF com código 6015.
Por que o scalping é tão afetado pelos custos?+
Porque o ganho de cada operação é pequeno. Um custo de R$ 1 por contrato representa 5 pontos do mini índice, o que pode ser metade do ganho buscado em uma operação curta. Em operações que buscam centenas de pontos, o mesmo custo pesa pouco.
